A irresponsabilidade na aplicação de verbas públicas é provavelmente o maior problema de nossa cidade. Muitas vezes, longe de ter como objetivo o bem-estar social do cidadão, observamos em diversos investimentos públicos um imenso desperdício de recursos provenientes do contribuinte em obras desnecessárias, seja por incompetência administrativa, amadorismo da gestão ou mesmo para atender a interesses escusos.

Essas obras desnecessárias são popularmente chamadas de “elefantes brancos”, expressão utilizada para classificar algo valioso ou que custou muito dinheiro, mas que não possui utilidade ou importância prática. No âmbito político e empresarial, elefante branco é o nome dado à obra ou projeto que é criado ou construído e que não possui quase nenhuma utilidade para a sociedade, geralmente em investimentos caros e inúteis. Em uma série de matérias vamos falar dos Elefantes Brancos de Macaé e iniciaremos essa seqüência logo com o maior e mais inútil deles, o PARQUE DA CIDADE.

O Parque da Cidade é uma obra digna do fictício Odorico Paraguaçu, personagem cômico criado pelo dramaturgo brasileiro Dias Gomes, que era membro de uma família ilustre da cidade de Sucupira e que, ao eleger-se prefeito, teve como maior realização a construção de um cemitério em uma cidade onde ninguém morria.

O Parque da Cidade foi inaugurado em 2004 através da lei municipal no 2561, em ano eleitoral, pelo então prefeito Silvio Lopes, ao custo de 5 milhões (apenas a obra) o que daria cerca de 11 milhões nos dias de hoje. Está localizado em área nobre no bairro Praia Campista com área de 75 mil metros quadrados oriundas da desapropriação separada de 208 lotes e foi apresentado como uma alternativa de lazer e esporte para moradores, no entanto parece já ter nascido natimorto.

A obra levou apenas 60 dias para ser concluída e sequer chegaram a finalizar o processo de desapropriação dos moradores do local, de modo que hoje vemos casas em áreas que deveriam pertencer ao parque. Infelizmente não tivemos acesso ao montante gasto com a desapropriação total do parque, mas, segundo relatos de moradores, faltou dinheiro para concluir o processo de desapropriação de todos os lotes.

E os problemas começaram logo após sua inauguração. O lago artificial que circundava o parque apresentou problemas estruturais e acabou secando, encalhando os “pedalinhos”, pequenos barcos movidos a pedal, que estavam disponíveis para usuários do espaço e isso

parece ter tido algum lado positivo, pois a baixa altura das passarelas provavelmente provocaria acidentes ao tentar atravessá-la com os barcos.

Desde 2005 diversas reportagens de diversos veículos de comunicação têm denunciado a má conservação do espaço e a falta de segurança.

Próximo ao mar e sem conservação, em 2006 a maioria das grades do entorno do parque caíram, o calçamento ficou totalmente deteriorado e moradores denunciam graves problemas de segurança relacionados a tráfico e consumo de drogas, assaltos e até estupros no local.

Além desses problemas, moradores também sofrem com a disseminação do mosquito Aedes aegypti, comumente encontrado em restos de lixo deixados no espaço ou no antigo chafariz que agora possui cinco buracos destampados com água parada. O parque também promove uma verdadeira infestação de ratos, prestando um imenso desserviço à comunidade local.

É muito fácil constatarmos o abismo entre discurso e prática de certos políticos só olhando essa situação do Parque da Cidade… alguns dizem aos quatro ventos que têm preocupação com segurança pública (chegam até a fazer autopromoção assumindo dívidas do Estado como foi o caso do pagamento dos proventos de 13o da PM pela atual administração do município, por exemplo) ou dizem querer resolver o problema da juventude com programas de educação, esporte e lazer, chavões básicos no discurso de muita gente, mas ao olharmos para atuação prática desses políticos em problemas REAIS como estes apresentados aqui, percebemos claramente o populismo.

Nós do Direita Macaé, preocupados com a boa utilização de verbas públicas, acreditamos que deveria haver no local um choque de gestão, mas de uma gestão SÉRIA e comprometida com os interesses e com o bem-estar do cidadão macaense. A área deveria ter o processo de desapropriação finalmente concluído, ser revitalizada com o concerto das grades, iluminação, jardins, calçamento e passarelas, além de se construir uma área administrativa transferindo a secretaria de esporte e lazer para lá junto com a secretaria de parques e jardins e liberar o espaço para a exploração privada. O custo da manutenção do espaço poderia vir da exploração do espaço por Food Trucks, ingressos de brinquedos infantis e outros, mantendo no local inclusive eventos culturais constantes como mostras de teatro e música.

Isso resolveria diversos problemas de SAÚDE PÚBLICA e SEGURANÇA que foram PROVOCADOS pela irresponsabilidade administrativa de diversas gestões responsáveis pelo local.

Os Elefantes Brancos de Macaé – Parte I